Eu levo uma vida miserável o suficiente
para dar-me um tiro no cérebro.
Falta-me ainda a coragem, e, por isso,
fumo num suicídio lento.
Não é que não penso direito, mas
é que o órgão do pensamento não é
adequado - deve ser destruído.
Penso sozinho, não se entende meu
pensamento.
Meu pensamento me condena
a não ter dinheiro, a estar desabrigado,
a escolher sempre o lado mais fraco,
ter como única opção ser derrotado.
Minha dor provém dessa grande solidão,
de que não há remédio para a solidão,
de nunca conseguir persuadir ninguém
a trilhar comigo um caminho.
De vez em quando, para piorar,
aparece alguém, me oferece um lar,
e depois o retira sem nada dizer,
sem poder justificar.
Os deuses jogaram seus dados a divertir-se,
e me puseram aqui embaixo, indiferentes,
para sofrer e a dizer isso.
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