quinta-feira, 23 de abril de 2015

Curso: Freud e a Interpretação dos Sonhos

Curso de extensão (FCA/Unicamp):
Freud e a Interpretação dos Sonhos
32 horas
Inscrições abertas até 04/05/2015.

O objetivo do curso é analisar a origem, a formação e a lógica envolvida na ideia freudiana de interpretação do sonho, particularmente no que se refere às suas possibilidades e motivações epistemológicas. Além disso, vamos discutir também, durante as aulas, quais podem ser as consequências clínicas dos pressupostos teóricos da proposta freudiana.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Psiquiatria e nomeação.
Na Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental (julho/2015).
Filosofia da psiquiatria.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A singularidade das Investigações Filosóficas de Wittgenstein. Fisiognomia do texto. Campinas: Editora da Unicamp, 2015.



     The purpose of this book is to trace a physiognomy of the most important work written by Wittgenstein in the later phase of his philosophical activities. The point of being physiognomic, so to say, is to apply in a Wittgensteinian way the same method the author inherited from Goethe and Spengler, and worked out inspired by Darwin, Freud, Frazer and Weininger, to his own work. For that matter, it presents a portrait of Philosophical Investigations not only as an unfinished book with organic connections with the totality of the Nachlass, but it also takes into account a number of questions regarding writing style, the philosophical significance of expression in contradistinction to description, and why the author's philosophy is so difficult to understand, considering the coexistence in the secondary literature of many incompatible Wittgensteins. 


        This book is intended to serve as a philosophical description in preparation for a new Portuguese en face translation of the Philosophical Investigations, to be published by the same publishing house probably in 2017, but it can also be profitable to anyone who wants a more comprehensive study of such fabulous work composed by a brilliant and polemical philosopher.


sábado, 11 de julho de 2009

Certeza?


O Grupo de Filosofia da Linguagem e do Conhecimento, coordenado pelo Prof. Arley Moreno, vai realizar, com o apoio do Departamento de Filosofia do IFCH (Unicamp), do Programa de Pós-Graduação em Filosofia do IFCH (Unicamp), e do Centro de Lógica e Epistemologia da Unicamp, mais um Colóquio Wittgenstein: III Colóquio Internacional/VI Colóquio Nacional Wittgenstein.

Este ano o tema do Colóquio será "Certeza?", e os conferencistas convidados são: David Stern e Plinio Smith. O Prof. Moreno estará a cargo da primeira conferência.

Os títulos das conferências e a chamada para apresentação de comunicações está no site (clique no link acima).

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O Sentido Íntimo das Cousas (2)

Quando Caeiro disse que "o único sentido íntimo das cousas é elas não terem sentido íntimo nenhum", ele, em seu apreço pelos aparentes paradoxos, dá sentido ao que naturalmente não tem sentido.

Essa é a diferença, por exemplo, entre o ético e o trágico. O trágico é o fato de que o mundo é totalmente indiferente à minha vontade, enquanto o ético é a quase inútil exigência de que o mundo tenha algum sentido.

Do que se depreende que linguagem é uma constante reconstrução; que é uma batalha diária de humanização das relações do eu com as coisas, com o outro e consigo mesmo; que ela implica o atrito entre a pulsão e a possibilidade da sua realização; e que é no interior dessa luta, na práxis, contra a subjugação, que conquistamos uma subjetividade.

A subjetivação dissolve o paradoxo (?).

domingo, 5 de abril de 2009

No Círculo Cínico

No Círculo Cínico é o nome de um livro de Ricardo Goldenberg.

Se o nosso tempo for realmente, como o descrevem algumas análises do espírito contemporâneo, o do cisnismo, então a maioria das expressões do pensamento que surge hoje em dia deverá carecer de autenticidade.

Sim, porque o cinismo, no sentido da desfaçatez e do descaramento em que o circunscrevo aqui, e não daquela escola de filosofia antiga que defendia o despojamento material e moral, consiste em simular o autêntico, em parecer-ser, em fingir uma legalidade ou uma moralidade, a fim de angariar alguma vantagem.

Reconhecer-se-á o cínico pela absoluta falta de compromisso com o que apregoa. Todo o resto, o discurso, é semelhante.

Desse modo, não é difícil hoje encontrar o marxista cujo marxismo é tão verdadeiro quanto o sincero amor de Xuxa pelas criancinhas, ou o artista cujo interesse vai, além da arte, direto para a fama e seus dois rendimentos mais ansiados, o sexo e o poder, ou os psicanalistas lacanianos especializados em política, aplicando, de modo imediato e canhestro, uma boa mitologia clínica no complexo e intrincado campo social.

Essas pessoas me lembram vivamente um certo morador da Cidade Universitária II, ali ao lado da Unicamp (Campinas-SP), na Avenida Luiz di Tella, que construiu um castelo num espaço exíguo, e encaixou no local uma estátua de si mesmo. Normalmente é a sociedade quem se encarrega de reconhecer seus heróis e próceres, post mortem, é claro, e homenageá-los com estátuas por causa de algum benefício social. Mas esse homem resolveu dar-se a si esse reconhecimento, mesmo independente de qualquer ato coletivamente benfazejo, simulando a opinião alheia e o rito social à moda do solipsismo, e colocando sua estátua em posição panorâmica como um grande e eterno prócer. O detalhe, nada insignificante aqui, é que falta autenticidade.

Na luta selvagem na qual a economia de mercado livre nos mergulha, o cinismo em arte, filosofia e psicanálise parece até compreensível. Afinal, para que ser gênio e não ser compreendido? É melhor mesmo vender ova de baiacu como caviar pra não morrer de fome...

Em arte, filosofia e psicanálise a lógica, hoje, é inaugurar estátuas de si mesmo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Filosofia de Botequim


Filosofia de botequim é uma coisa divertida - desde que saibamos bem quais são os limites. Ninguém deve tomar gato por lebre: o que se fala numa mesa de bar, fala-se por falar. O ritual se satisfaz em si mesmo, e nada ali deve ser levado a sério.

Mas as recomendações do bom-senso são difíceis de seguir. Principalmente aqui em Burundi, onde o que vale mesmo é o botequim.

Pois não é que se fundou uma nova associação de filosofia e psicanálise sem nenhum filósofo qualificado? Não quero ser tão injusto: há filósofos qualificados ali, sim, com graduação em faculdades arquidiocesanas. Arquidiocesanas? É, mas o MEC autorizou por enquanto. Vejam vocês mesmo em http://www.abrafp.org/

Mas imaginem: se uns caras como esses podem cobrar 60 reais por mês, quanto deveriam cobrar os que se qualificaram com doutorado (no mínimo) nas melhores universidades daqui ou de fora? E agora, pasmem: os mais qualificados não cobram nada!

Como se não fossem suficientes as parvoíces de Slavojs Zizeks de tudo quanto é tipo por aí, temos uma estupidez ainda mais profunda. Como disse Bernardo Soares, "o que mais me maravilha não é a estupidez com que a maioria dos homens vive a sua vida, mas a inteligência que há nessa estupidez".

Em matéria de filosofia e psicanálise (quero dizer "filosofia da psicanálise"), toda estupidez é perfeitamente possível. Ela é, como a própria vida, desprovida de método de decisão. Só contamos com a decisão.

Em psicanálise é o que basta.

Mas em filosofia, não. Filosofia, em geral, tem método. O método, ou a sua falta, é ela mesma. E, assim, conversa de botequim.